domingo, 25 de janeiro de 2015

A Volta dos Infiéis - Felizes para Sempre?

Adaptação de uma das séries de maior sucesso dos anos 1980, "Felizes para Sempre?", de Fernando Meirelles, é a mais aguardada produção (e provavelmente a última) da onda de remakes exibida na faixa das 23 horas



Triângulo
Paolla Oliveira como a prostituta Denise, que se envolve com o
casal Cláudio (Enrique Diaz) e Marília (Maria Fernanda Cândido);
(abaixo), Fernando Meirelles dirige o trio no set de filmagens 


Cinco casais envolvidos em traições conjugais se tornam suspeitos da autoria de um misterioso assassinato, em que vítima e culpado são revelados apenas no final. Este é o enredo central da nova série em dez episódios da Rede Globo, “Felizes Para Sempre?”, que estreia na segunda-feira (26). Com direção do renomado diretor de cinema Fernando Meirelles (“Cidade de Deus”, “O Jardineiro Fiel”), o programa é um remake de “Quem Ama Não Mata”, minissérie dirigida por Daniel Filho e Dennis ­Carvalho e exibida com grande sucesso de público em 1982.

Para incrementar a trama com atualíssimas situações de corrupção política, Meirelles deslocou a história de Niterói para Brasília, que tem a arquitetura mostrada em longas tomadas cinematográficas pouco vistas na televisão. “O Rio foi desde então tão explorado que não funciona mais tão bem como elemento dramático. Já Brasília, por alguma razão, praticamente não foi usada na TV. Como arquiteto, foi uma maravilha poder voar com drones por dentro de obras do Niemeyer e usar os vazios da cidade como extensão da solidão dos personagens”, explica o diretor em entrevista à ISTOÉ. Meirelles coordenou uma equipe com outros três diretores, que dividiram os episódios de maneira que pudessem ser filmados simultaneamente, com os responsáveis se revezando no set e palpitando no trabalho dos colegas.



Troca
Para homenagear Marília Pêra, que viveu a personagem de
Maria Fernanda Cândido na série original, o roteirista
rebatizou a protagonista com o nome da primeira intérprete  

A história acompanha a vida pessoal de três irmãos que trabalham em uma empreiteira acusada de lavagem de dinheiro. Todos imersos em crises no casamento. Um dos elos entre os integrantes da família Drummond é a prostituta Denise (uma magnífica Paolla Oliveira), que atende altos executivos e políticos da capital federal sob o codinome Danny Bond, ao mesmo tempo que mantém um caso amoroso um uma colega de apartamento. Além da relação homoafetiva de Denise com sua companheira, a nova série toca em outros assuntos que não seriam possíveis no folhetim original. As manifestações vividas pelo garoto Júnior, filho de um dos casais envolvidos com os casos de corrupção, remetem às passeatas de junho de 2013.

Meirelles encara as mudanças de enredo como uma atualização necessária, mas que não desvia o foco principal da trama. “O fato de a grande história de amor da série não ser heterossexual não é sequer comentada pelos personagens, entra como uma casualidade”, diz. Euclydes Marinho, autor da trama dos anos 1980 e redator da nova adaptação, acredita que é mais fácil tocar em assuntos polêmicos hoje em dia. “A sociedade está mais ousada, acho que essa é a grande diferença. E a mim nunca interessaria refazer algo que eu mesmo criei, acho algo muito preguiçoso”, diz.  

A minissérie original foi inspirada pela repercussão popular do julgamento de Doca Street, assassino da socialite Ângela Diniz. Transmitido ao vivo pela televisão durante toda a madrugada em outubro de 1979, bateu recordes de audiência. O acusado alegou ter cometido um crime passional, o que motivou uma onda de pichações que tomaram conta do País com os dizeres “Quem Ama Não Mata”. Dois finais diferentes para a série original chegaram a ser filmados. A decisão de qual iria ao ar foi tomada apenas no dia da exibição. No novo programa, Marinho quis que qualquer pessoa entre os dez personagens principais pudesse ser considerada culpada. “Queria explorar a possibilidade de que poderia ser qualquer um. Só descobri enquanto escrevia o último capítulo quem ia matar e quem ia morrer”, diz. Embora se recuse a considerar o novo programa um remake, Marinho admite que projetos do tipo tiveram boa preferência dentro da emissora até a nova adaptação. “Isso agora está mudando. Depois desta, as outras séries para essa faixa de horário serão todas originais”, diz ele. Resta conferir se a previsão do autor irá realmente se confirmar.

 

fonte: Isto é
créditos a isto é para imagens

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